Pílulas (Frase da Semana)

s vezes nossas escolhas erradas podem nos levar ao caminho certo."

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Um Conto do Desencanto

Escrevi esse texto em Setembro de 2011, lembrei dele hj e resolvi registra-lo aqui, junto com meus outros pensamentos...



"Certa vez uma jovem moça encontrou em seu caminho uma plantinha. A plantinha aparentemente nada tinha de especial mas, por alguma razão que a razão desconhece, a jovem se afeiçoou daquela plantinha e a levou para casa. A plantinha passou a fazer parte de sua vida, e todos os dias a jovem cuidava para que ela crescesse forte e saudável, pois sabia, no íntimo, que um dia ela se tornaria uma grande árvore, forte e frondosa, e daria muitos frutos.


A jovem sonhou.

Sua sombra acalentaria os cansados e seus frutos alimentariam uma multidão. Seu tronco forte sustentaria os altos galhos, tão alto que se destacaria entre as outras árvores, seria referência aos viajantes desavisados. Suas raízes seriam tão profundas, que nenhum vento forte ou tremor da terra seriam capaz de derrubá-la. Com muito carinho, ela a regava sempre que podia, tirava as ervas daninhas que teimavam em crescer à sua volta, dando-lhe todo o espaço que precisava para crescer.


A jovem sonhou.

Mas um dia, a plantinha não estava mais lá. Alguém a havia levado embora. Dia após dia, seus pequeninos frutos, ainda verdes, foram sendo arrancados, um a um. Seus galhos foram podados até que já não fizessem mais sombras. Em solo infértil, suas raízes se entranharam, mas então aquela plantinha simplesmente parou de crescer.

E a jovem?

Aquela plantinha já não era mais sua – na realidade nunca houvera sido. Fora do seu alcance, nada mais podia fazer. A ela só restou o sonho.

Mas ela não sonhou mais. Ela seguiu em frente.




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quinta-feira, 28 de março de 2013

Acesso Negado






Como muitos sabem, tenho experimentado mudanças bem radicais este ano. Mudei-me de cidade, de Estado, de vida. Nova casa, novo emprego, novos colegas, novos sabores, novos climas, novas roupas, novos planos, novas perspectivas.

A adaptação tem sido até mais rápida do que eu esperava. Claro que nos primeiros dias foi bem difícil, a saudade e o sentimento de perda vieram na bagagem, e antes mesmo que se aquietassem, deram lugar ao medo. Medo do desconhecido, medo de não dar certo, medo de arrependimentos, medo de não conseguir. Mas o tempo passa a junto com ele todos esses “excessos de bagagem” passam junto com ele, dando lugar a uma sensação de vida nova, de recomeço. A partir do zero novamente.

O que tenho percebido é que quando estamos passando por uma mudança assim, tão grande, não há muito espaço para lembranças e saudades. É muito diferente lembrar-se de algo que traz saudade quando se está tão longe – geograficamente – daquele ambiente onde aconteceu. Difícil explicar. Até consigo pensar nas coisas que ficaram para trás, mas ao menor sinal de saudade, antes mesmo que a sensação de dor apareça, essas lembranças se afastam ligeiras, como se fugissem de volta para o lugar ao qual elas pertencem. A sensação de “o que passou, passou” é mais forte que nunca e mal consigo olhar para trás. E quando tento, só o que vejo são imagens borradas, de uma vida que não mais me pertence.

Creio que esse é um meio de involuntariamente nos defendermos do medo do novo. Porque no novo não há espaço para as velhas coisas. Um sai, outro entra. Um termina e o outro começa. Enquanto nos mantemos amarrados ao passado, sonhando em reviver as velhas coisas, a novidade de vida nunca chega a se tornar uma realidade, né?

Acho que ainda não consegui explicar claramente essa sensação de “acesso negado” em relação à saudade do que vivi há até poucos meses atrás. Mas que fique bem claro que aqui me refiro a coisas, e não pessoas. Circunstâncias, e não momentos. Minha história permanece viva em minhas memórias, mas no momento elas afetam cada vez menos a minha vida presente. Uma nova história está sendo construída, e eu estou tendo o privilégio de poder observar cada tijolinho sendo colocado.



"Viver no passado é uma ocupação tola e solitária; olhar para trás tensiona os músculos do pescoço, e faz com que você se encontre com aquilo que não está no seu caminho."


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domingo, 27 de janeiro de 2013

Tudo de novo outra vez



Eventos repetidos são ótimos meios de percebermos o quanto nós mudamos – ou não – em determinado período de tempo. Quando as situações se repetem, a maneira como reagimos às situações dão uma boa dica de como o tempo e as novas experiências são capazes realmente de produzir crescimento e amadurecimento.
Um exemplo? Vou me mudar. Amanhã estarei em um avião, em direção a uma vida totalmente nova e imprevisível em outro Estado. Do extremo Norte, ao extremo Sul do país. Não poderia ser mais radical! rs.
Mas não é a primeira vez que faço uma mudança assim, definitiva. Sete anos atrás, a essa altura do ano eu estava dividida entre muitas despedidas, trocas de lembranças, últimos passeios, últimos abraços, últimas fotos, muitos choros e velas. Tudo muito extremo, tudo muito sofrido, tudo muito “nunca mais”. Depois da mudança foi muita dificuldade de comunicação, muita solidão, muita insegurança, muito arrependimento...
E um ano depois, cá estava eu de volta. Aquele “pra sempre” teve a validade de exatos 11 meses!  
Tudo é tão diferente agora. A começar pelo fato de que não existe “nunca mais”. O mundo mudou em 7 anos, e a comunicação não é mais um problema. Os relacionamentos também mudaram, muitos destes dos quais eu me despeço amanhã, estarão falando comigo no dia seguinte, curtindo minhas fotos, compartilhando minhas postagens, trocando sms. Serão tão presentes quanto já são. Até as distâncias mudaram, pois passagens são cada vez mais baratas e muito mais acessíveis. Podemos ir a qualquer lugar em 10x sem juros. Isso é um sonho! rs
Mais do que isso, EU mudei. Não sou mais a menina assustada, insegura e dependente da presença constante dos amigos. A pessoa que eu sou hoje sabe que eles são eternos, desde que verdadeiros. Sabe que pode ser quem realmente é sem medo de julgamentos. Falar o que pensa, demonstrar o que sente, fazer o que acha que deve ser feito. A Simone de hoje sabe que não existe “para sempre“. Nada é definitivo. E por isso a Simone de hoje não tem medo, e nem hesita em tomar uma atitude tão radical, em busca de um sonho que nunca imaginara que poderia se tornar real tão cedo.
A Simone de hoje não precisa de choro e de vela.
Porque a Simone de hoje está feliz. =)



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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Almas Gêmeas




        Hoje, quando procurava um endereço em algumas agendas antigas, encontrei uns cartões de vocês, do tempo das inúmeras despedidas, quando eu me mudei p Brasília. Lembrei de muitas coisas então, principalmente do tempo em que nós entrávamos na Lojas Americanas só p olhar as coisas, e ficávamos entregando cartões umas às outras. Dependendo da ocasião, eram de Natal, de Aniversário, ou de Amizade – vez ou outra tinha um de felicitações aos Noivos! kkk.

         A questão é que como nunca tínhamos dinheiro, o cartão era apenas simbólico, pois nunca levávamos para casa. Mas isso não importava nem um pouco, já que sabíamos que o que valia era a intenção e essa sim, era mais que verdadeira.

            Lembrei de um tempo em que tudo era tão simples. Em que nossa felicidade consistia em uma volta no shopping - ou ao centro - só com dinheiro da passagem e do sorvete.  Só isso. Quando muito, pedíamos uns trocados às mães e íamos ao cinema, sonhar um pouquinho com um mundão tão distante do nosso.

           Não precisávamos de muito, pois nossas vidas eram totalmente embaladas por muitos, muitos sonhos. Esses sim, tínhamos demais da conta! Nossos bolsos estavam sempre abarrotados deles. Presente e futuro, pequenos e grandes, possíveis e impossíveis. Conversas, devaneios, planos... Em nosso “Mundo de Bob”, fazíamos as mais loucas aventuras, as mais incríveis viagens, os mais divertidos planos. Seria tudo muito perfeito.

        Agora, passado tanto tempo (nada menos que exatamente a metade das nossas vidas, já), sabemos que alguns se realizaram, outros simplesmente mudaram e a maioria ficou no esquecimento. Como havia de ser. Mas não precisávamos saber disso naquele tempo, né?

         Com vocês eu comprei o meu primeiro batom. Vocês que me ajudaram a escolher minha primeira bolsa. Estavam comigo nas primeiras vezes que fiz compras sozinha. Com vocês aprendi a andar de ônibus, aprendi a cantar, aprendi a me vestir e acreditar em mim mesma.

          Foi com vocês que eu aprendi a ser amiga, foi com vocês que eu aprendi a ser irmã. Foi com vocês que eu aprendi que amor é escolha, e que se escolhemos umas às outras para estarmos juntas pela vida toda, é assim que vai ser. Porque também com vocês eu aprendi – e continuo aprendendo o tempo todo – que amizade não é presença física, assim como não é concordância em tudo e nem uma simples questão de afinidade. Muito além disso, é a certeza de um amor totalmente incondicional, e por isso eterno.





Se alguém lhe perguntar o que é a amizade, responde:

“É o vínculo de duas três almas virtuosas.”
Pitágoras



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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sobre mudanças...




Já faz um tempinho que eu não apareço por aqui. Mais isso não é exatamente ruim. Como eu costumo escrever mais quando to meio pra baixo, muito tempo sem novos textos pode ser um bom sinal.

A verdade é que eu ando sem ideia mesmo. Vida parada, sem grandes mudanças, e as pequenas mudanças ainda estão em processo. Quem sabe quando tudo se concluir eu encontre as palavras para descrever tudo que tem acontecido. Mas no momento, os pensamentos estão perdidos, dispersos, alguns tem começo mas não tem fim, outros tem fim mas eu não lembro do começo. Difícil contar uma história assim, né?

O certo é que pela primeira vez em bastante tempo, eu tenho conseguido ver mudanças como algo bom. Já falei aqui antes, acho que em um dos primeiros posts, sobre o quanto isso me incomoda. Sobre as perdas que inevitavelmente acompanham cada volta que a vida dá.

Mas o tempo passou e inevitavelmente, mudanças tem ocorrido, por vontade minha ou independente dela. Com tudo isso, me dei conta de que quem não gosta de mudar, nunca poderá crescer. Porque crescimento é também uma forma de mudança, e quem está preso no seu lugarzinho seguro corre o sério risco de nunca experimentar as transformações que procedem a ela. Nem as benfeitorias.

É preciso coragem para mudanças, é verdade. Mas uma vez que elas começam, você aprende e adapta-se a elas. Entende que sem abrir mão do velho, nunca terá espaço em sua vida para o novo. E o novo? Ahhh o novo... Pode ser bem mais interessante! ;)




Life begins at the end of your comfort zone. 
(Neale Walsh)



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sexta-feira, 29 de junho de 2012

No Regrets



Essa semana eu conheci uma nova série de TV e já me apaixonei.  É “Being Erica”, uma série canadense, nem sei se foi exibida no Brasil. A história é de uma mulher de 32 anos, solteira, sem emprego e nada dá certo na vida dela. Erica se sente uma loser, uma fraude, e não consegue entender direito como chegou até ali. Afinal, ela era uma “promessa”:  é estudada, inteligente, bonita, gente boa… Mas acredita que tomou alguns caminhos errados ao longo da vida. Ela então tem a oportunidade de fazer uma terapia beeeeem diferente (e ficcional, claro) – com a ajuda do “Dr. Tom”, Erica pode voltar ao passado, reviver algumas situações que provocam arrependimento e mudar aquilo que ela considera que foi uma escolha errada.

 A cada capítulo a gente acompanha Erica em diferentes fases da vida, olhando para tudo com a mente de hoje e tentando resolver as coisas. Não tem como eu não me identificar, né? Se tem uma coisa que eu acumulei durante a vida foram esses pequenos arrependimentos, nem sempre sérios, mas coisinhas que se eu pudesse, teria feito diferente. Isso sempre me angustiou muito.

 Mas agora, observando a série e podendo refletir a respeito, eu percebi algumas mudanças na minha forma de ver as coisas. Tanto que os últimos posts sempre têm falado de Escolhas, e isso não é um momento isolado. Só agora eu percebi que estou no meio desse processo, essa mudança de conceitos, esse desprendimento em relação ao passado. Ver-se livre dessas culpas é algo realmente libertador, não conheço nada melhor.

 Algumas constatações têm sido particularmente impactantes:

Nem todas as más escolhas são escolhas erradas. Ninguém tem bola de cristal para visualizar o futuro cada vez que uma decisão precisa ser tomada. E também ninguém tem como saber como seria o futuro se a escolha tivesse sido diferente. Então não há garantias de que uma decisão aparentemente mal feita, não foi a melhor naquele contexto, pois foi ela que nos trouxe até onde chegamos e sem ela não poderíamos ter consciência disso. São as pequenas escolhas erradas que nos ensinam a fazer as grandes escolhas certas.

Não existe Loser, por que a gente sempre faz tudo que faz, com os recursos que a gente tem. Não se deve sentir culpa por ter feito aquelas escolhas, porque naquele contexto, era tudo que tinha a fazer. Ninguém faz escolhas erradas propositalmente. É muito fácil olhar para trás e ver uma série de erros, quando já estamos de fora e sabemos o que aconteceu depois. Nós só podemos decidir entre as opções que nos são apresentadas, mas não podemos escolher que opções serão estas. Se tivermos A ou B em nossa frente, não podemos escolher K. Além disso, todas as nossas ações são fruto de um conjunto de fatores que são definidos de acordo com a nossa maturidade, capacidade de análise, senso de responsabilidade, motivação pessoal, interferência de outras pessoas, enfim, uma série de condicionantes diretamente ligados ao momento específico em que estamos. Como o ser humano é altamente mutável, em cada momento da nossa vida temos recursos diferentes para fundamentar nossas escolhas. Portanto contextos diferentes requerem escolhas diferentes. O certo e o errado só são comprovados tempos depois, de acordo com as conseqüências geradas.

"São as escolhas que você faz que definem quem você é". Isso é um fato. Qualquer decisão que eu tivesse tomado de diferente, me impediriam de ser a pessoa que sou hoje. Se eu poderia ter me tornado uma pessoa melhor ou ter uma vida mais próspera? Nunca saberei. Mas eu prefiro acreditar mais em quem eu realmente sou que em quem poderia ter sido.

 Ao fim de cada episódio, Erica se vê tomando a mesma decisão que considerava errada, percebe as razões que a levaram a isso, e que não poderia fugir daquela escolha. E que tudo que aconteceu foi melhor do jeito que foi mesmo. Ao contrário da personagem, eu não tenho a possibilidade de voltar ao passado e mudar minhas escolhas. Mas não deixa de ser reconfortante entender que se estivesse lá de novo, acabaria fazendo tudo do mesmo jeito. Pois se são as minhas escolhas que definem quem eu sou, são as circunstâncias que definem minhas escolhas. E quanto a isso, eu não tenho nenhum poder de questionar.


"Nossas vidas são como torres de cartas. Algumas delas são enfeites, enquanto que outras são colunas, que sustentam todas as outras. Remova uma dessas colunas, e tudo desaba. Tire o que te faz de você "você", e se tornarás outra pessoa" (Dr. Tom, personagem do seriado "Being Erica")


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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Quem Eu Sou




Todo mundo sente-se meio perdido em algum momento da vida. Não é à toa que questões como “quem eu sou, para onde vou” assolam a vida dos grandes pensadores há vários séculos. Se os grandes pensadores ainda não conseguiram chegar a alguma conclusão, também eu não me atrevo a tentar fazê-lo. Mas acho que entendo um pouco de onde vem essa inquietação, tão inerente ao ser humano.

A verdade é que passamos pela vida em um eterno processo de mutação. Nunca conseguiremos nos conhecer de fato, pois estamos sempre nos adaptando, fazendo concessões, refazendo projetos, improvisando. Nossos gostos, nossos sonhos, tudo vai modificando conforme as circunstâncias, sem sequer notarmos. Não conseguimos perceber o quanto mudamos. No máximo sentimo-nos perdidos em meio à tanta correria, mas como não vemos o tempo passar, ele segue, sutil e sorrateiro, levando consigo pequenos pedaços de nós pelo caminho. Em meio a tantas voltas - e perdas - esquecemos quem de fato somos.


Mas não precisa terminar assim. Tudo que a vida nos toma, ela traz de volta, de alguma forma. Em algum momento, de repente algo passa por nós, ligeiro, numa fração de segundo. Uma música antiga, uma foto, um cheiro... E nos arrebata de uma forma tão intensa, que nos perdemos do tempo. Presente e passado se chocam, lembranças vêm à tona. Lembramos dos sonhos perdidos, dos projetos deixados de lado, dos ideais esquecidos, dos anseios do passado. Lembramos de como éramos e o que era mais importante em outros tempos, outras circunstâncias, outras vidas... Essa é a máquina do tempo mais poderosa que existe! 

Algumas vezes precisamos reconhecer que nos perdemos de nós mesmos. Essa é uma pequena chance que a vida nos oferece de tempos em tempos, para olhar o passado, nos lembrar quem realmente somos, escolher quem queremos ser e traçar um novo caminho. Para nos reconstruir, resgatar, recriar o presente e refazer o futuro.

Posso até não saber ao certo quem eu sou. Mas não quero nunca me perder de quem eu desejo ser.





Se não estivéssemos tão empenhados 
 Em manter nossa vida em movimento,
E pelo menos uma vez pudéssemos não fazer nada.
Talvez um enorme silêncio 
Pudesse interromper a tristeza 
De nunca entender a nós mesmos 
E de nos ameaçarmos com a morte. (Pablo Neruda)



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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Escolhas II




Da série “coisas que não nos ensinam sobre a vida”, hoje quero falar mais um pouco sobre nossas escolhas, e onde elas deveriam nos levar.
Todo mundo tem um sonho. Não precisa ser grandioso. Pode ser um desejo bem simples, uma profissão, um determinado tipo de casa, um estilo de vida. Todos têm uma idéia de onde querem estar daqui a 20, 40 ou 60 anos. E alcançar esse alvo seria de certa forma algo muito simples, quase óbvio; se eu tenho um objetivo na vida, ou um sonho, devo fazer um plano para realizá-lo e, a partir daí, fazer escolhas que me levem até a concretização deste. Tão fácil, não é? Sem mistério...
Mas não é o que fazemos. Pelo contrário, nós andamos como cegos, dizendo ‘sim’ ou ‘não’ para todas as oportunidades que surgem na nossa frente, na esperança de que ‘o destino nos leve até lá’ milagrosamente. Mudamos de planos cada vez que uma porta se fecha ou outra se abre, inventamos novos sonhos cada vez que as circunstâncias mudam. Vamos nos adaptando às mudanças sutilmente. Ou não.
Mas aí o tempo, implacável, vai passando e então nos damos conta – por vezes tarde demais – de que tomamos um caminho tão contrário ao que queríamos, que melhor seria escolher outro sonho para não ter que lamentar a perda, ou para tentar ser feliz assim mesmo. E aí como consolo, dizemos que foi ‘vontade de Deus’. Podemos realmente nos conformar ou esperar, acreditar que ‘se for para ser, a vida nos levará até lá’. Mas não sei se é bem assim que funciona. Certamente não tem funcionado comigo.
É verdade que muitas vezes o resultado é muito melhor do que o esperado. Um futuro do qual nem poderíamos imaginar pode acontecer mesmo. Mas confiar nisso é uma escolha arriscada. Muito além de sorte e acaso, são as escolhas certas – e tomadas racionalmente – que podem aumentar as nossas chances de termos a vida que desejamos. E essa verdade, infelizmente não nos é devidamente ensinada no início da vida, quando temos todas as possibilidades ao nosso alcance. A consciência de que somos responsáveis por nossas vidas, por nosso destino.
O Senhor nos dirige os passos. Mas não anda em nosso lugar.
Deus nos fez com capacidade de raciocínio, consciência, discernimento, livre-arbítrio. Devemos usá-los. Você pode acreditar em destino, ou vontade de Deus, e eu não contesto isso. É possível realmente que todos os caminhos levem a um só lugar, o que ‘era para ser’ ou que ‘estava escrito’. Mas ter consciência do caminho a tomar nos permite chegar ao alvo dando menos voltas, menos tropeços e, perdendo menos tempo corrigindo erros, começando e recomeçando, podemos desfrutar a recompensa por muito mais tempo.


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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Moving Forward (FF)



“Costumam-se tirar fotos de escaladores no topo da montanha. Nessas fotos eles estão sempre sorrindo, estáticos. Triunfantes. Mas ninguém tira fotos durante o trajeto. Ninguém quer se lembrar do resto. Nós nos esforçamos porque precisamos, não porque gostamos.
A subida cruel, a dor e a angústia de se esforçar mais, de subir mais um pouco, disso ninguém tira foto. Ninguém quer se lembrar disso. Porque só queremos lembrar a vista do topo. O momento de tirar o fôlego, no topo do mundo. É isso que nos mantém escalando. E isso vale a dor. Essa é a maluquice. Faz tudo valer a pena.” (Meredith Grey, em ‘Grey’s Anatomy’)

Na faculdade, nas aulas de filosofia (que eu detestava) eu aprendi um conceito novo pra mim, a chamada Física Quântica. Não me perguntem o que é ou como explicar, porque eu não sei nada. A única coisa que eu consegui reter de toda a aula, é que a física quântica não leva em consideração o trajeto, a história, mas só o ponto final, o resultado. É como assistir a primeira cena de um filme e logo pular para a última, quando tudo está resolvido e o objetivo alcançado.
Nem sei se essa é a definição correta da física quântica (provavelmente não! rs), mas eu sempre pensei muito sobre isso. Em como costumamos usar exemplos de vida para justificar o nosso esforço, como alvo a ser alcançado.
“Fulano de tal nasceu pobre e hoje é um advogado muito famoso.”
“Fulana passou por algumas desilusões amorosas, mas conheceu alguém maravilhoso e agora está muito bem casada.”
“Não-sei-quem está curado do câncer, agora está tudo bem com ele.”
“Ela sabe dar ótimos conselhos, é uma pessoa muito sábia.”

Todo mundo enaltece os resultados, mas ninguém menciona o caminho percorrido para que essas pessoas chegassem lá. Todo o sofrimento, o esforço, as lutas que enfrentaram. As perdas, as humilhações, o choro, a dor... as negativas, os fracassos, a vontade de desistir de tudo. A impaciência da demora, sensação de que a espera não vai terminar nunca. O vazio. E tudo sem nenhuma garantia. Disso ninguém fala. Está certo que devemos focar o alvo e seguir em frente, isso é inquestionável. Mas quando somos nós que estamos passando pelo vale, é muito difícil acreditar há uma saída, pois não somos ensinados a percorrer o caminho, lidar com as dificuldades. O preço que deve ser pago.
Então nessa hora o que sentimos é um desejo incontrolável de voar. Saltar no tempo, e chegar logo ao topo. De fechar os olhos e, num passe de mágica, estar naquele lugar, onde todos os problemas estão resolvidos, os sonhos alcançados, e sentir no rosto a brisa fresca do sucesso. De se encontrar lá na frente e olhando para trás – para o hoje – e vendo que valeu a pena. E é lá que descobrimos então, que na vida nós não somos apenas escaladores.
Somos equilibristas.



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segunda-feira, 26 de março de 2012

Escolhas (Parte 1- Sabedoria)



           Hoje eu comecei a ler um livro e, pelas primeiras páginas, já percebo que falarei bastante dele por aqui. O título é ESCOLHAS, de Roberto Aylmer. É o tipo de livro que eu gosto, com muitos exemplos e testemunhos pessoais do autor. E o assunto não poderia ser mais oportuno, pois o livro chega às minhas mãos no mesmo dia em que eu começo a perceber que terei uma difícil decisão a ser tomada até o fim próximo mês. Decisão essa que poderá mudar todo o curso da minha vida... ou não.

           No primeiro capítulo ele começa falando sobre o que motiva nossas escolhas. A diferença entre seguir a razão e o coração. Eis um trecho:

         “Siga seu coração... Faça o que tem vontade... Viva o momento... [...] Compre agora e pague depois... Você tem o direito de ser feliz [...] A mensagem subliminar dessa filosofia sem autor é: pense em você e não se importe com as conseqüências... Pode ser lindo num filme que acaba em duas horas ou num comercial de trinta segundos, mas quando falamos de vida real, quando buscamos construir um nome e realizar coisas com um propósito de fazer para durar, esses conceitos são como o cupim na madeira macia: ele destrói tudo comendo de dentro para fora. As idéias do tipo viva o agora atraem as multidões porque oferecem alívio imediato, sem a preocupação com o depois. Mas é neste depois – chamado futuro – que vamos morar.”

          Que responsabilidade enorme nós temos nas mãos. Um passo em falso e tudo pode-se perder. Mais do que vontade, escolhas requerem sabedoria. Mais adiante, o autor fala da diferença entre sabedoria e inteligência, explicando que a sabedoria avalia as três esferas passado/presente/futuro e faz a decisão levando em conta a interação entre elas. Ser sábio é ser um pouco profeta. É se antecipar na descoberta das conseqüências das escolhas que são tomadas e entender que as atitudes de hoje são reflexos das experiências de ontem, mas que definirão e afetarão o amanhã.


"A experiência é uma excelente professora, 
mas seu preço é EXORBITANTE."




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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Perdoar é Esquecer?



Acredito realmente que não.

Muito se fala sobre o perdão, mas o que eu percebi é que se falam sempre as mesmas coisas. Sobre o mandamento de Jesus (“70 vezes 7”), sobre o perdão divino (os pecados que são jogados no “mar do esquecimento”), sobre a importância desse para a saúde mental e espiritual do homem “de bem”. Mas vejo que pouco se fala do perdão na prática, no dia-a-dia mesmo, como ele realmente é. E o que realmente é.

Na minha humilde visão, Perdoar é uma ESCOLHA. É, mesmo diante do ressentimento, da decepção ou até mesmo da raiva, DECIDIR passar por cima de tudo isso, e seguir adiante como se esses sentimentos não houvessem presentes, até que, com o passar do tempo e naturalmente, eles de fato não existam mesmo. É reconhecer o outro como um ser humano passível de erros, tanto quanto você é.

Perdoar é AÇÃO. É agir para com o ofensor como se não houvesse havido ofensa. É ter a atitude de não retribuir o mal que foi feito, abrir mão da justiça própria e até mesmo da recompensa. É permitir espaço para que a confiança seja restabelecida. É dar uma nova chance, o primeiro passo de um novo caminho a ser trilhado.

Mas Perdoar, diferente do que muitos acreditam, não apaga o mal que foi feito nem muda a história, uma vez que ninguém tem poder pra isso. Perdoar não muda sentimentos nem apaga as conseqüências dos erros, tampouco transforma pessoas más em boas, instantaneamente. Perdão também não é um sentimento. Não é uma sensação, nem uma palavrinha mágica. E Perdoar não é confiar. Confiança é algo que precisa ser construído, e, no caso do perdão, reconstruído.

Dizem que perdoar é esquecer. Isso não é verdade. Na realidade, o nome disso é AMNÉSIA. E é um perigo. Porque quando esquecemos completamente o mal que nos foi feito, corremos o grande risco de permitir que eles se repitam. Ta certo que devemos ter um coração disposto ao perdão, mas isso não pode ser confundido com INGENUIDADE. Vamos combinar... É verdade que perdoar é divino. Mas cair nas mesmas ciladas, quando já se sabe o risco, é burrice, né não?


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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças



Como se elimina uma lembrança?

No filme mencionado no título, o protagonista vive em um tempo em que é possível excluir permanentemente da mente, lembranças seletivas. Um trauma de infância, o horror de uma guerra, uma violência sofrida, um amor frustrado. Imagine só ter a possibilidade de simplesmente apagar da mente, como se nunca tivesse acontecido. Que sonho!

Mas como na vida real ainda não existe esta tecnologia, como então podemos nos livrar dessas lembranças que nos causam dor? Eu me esforço pra entender e, mais ainda, encontrar maneiras de fazer isso. Mas a única coisa que consegui até hoje, foi perceber que não são somente as lembranças ruins que causam angustia não. Lembranças boas podem causar uma dor inimaginável.

Mesmo que a gente se esforce para guardar algumas dessas lembranças numa espécie de gaveta, no fundo de um armário, no porão, escondido no mais profundo e esquecido lugarzinho da alma, elas não podem ser apagadas. Não estão mortas, não estão aniquiladas, extinguidas. Elas podem ficar nesse lugar perdido por bastante tempo. Podem ficar esquecidas por muitos anos.

Ou não.

Elas podem simplesmente resistir à expulsão e se recusar a sair. Às vezes fingem aceitar que não são bem vindas e ficam quietinhas, disfarçadamente, como que brincando de esconde-esconde com a gente. E quando menos esperamos – ou quando esperamos, mas não conseguimos evitar – eis que uma brechinha da porta se abre e lá estão elas, vivíssimas, em alta definição, ansiosas, nos olhando com seus olhinhos brilhantes, afoitos por uma pequena chance de se libertar. E fazer seu doce estrago.

E não precisa muito. Basta um cheiro, uma voz, um objeto, um som, um gesto, um lugar... são como chaves que abrem as fechaduras da alma e libertam as lembranças, misturando por um instante, tempo e espaço, alegria e dor.

A esse momento foi dado o nome de Saudade.

Não importa o quanto nos esforcemos, lutemos, corramos desesperados, em fuga. Uma hora ou outra elas sempre nos alcançam. Na menor oportunidade, cravam suas garras no nosso coração, tentando se prender a qualquer custo. Tentando sobreviver ao esquecimento.

Pensando bem... até que “Uma Mente Sem Lembranças”, como no título do filme, possui um “Brilho Eterno” realmente tentador...



(continua abaixo...)

O que é Saudade



E o que é Saudade?

Saudade é como jogar uma bola para o céu e ela, desafiando a gravidade, desaparecer. E é impossível não ficar ali esperando ela voltar.

É sentir o gostinho de voltar no tempo, e a dor de não poder ficar lá.

É tentar andar pra frente, enquanto o coração puxa para trás.

É querer de volta uma vida que já não cabe na sua vida.

É a incompetência de esquecer.




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domingo, 27 de novembro de 2011

"No Tempo em que os Animais Falavam..."


Hoje eu ouvi um termo que há muito ñ é usado. Na TV, um escritor, falando sobre seu novo livro de contos infantis, comentou que quando era pequeno, as histórias começavam com “no tempo em que os animais falavam...”.

Nossa, um filme passou na minha cabeça naquela hora. Eu também ouvi histórias do tempo em que os animais falavam. Também sou de uma época em que este era o parâmetro para definir quão antiga era uma história. Eu também, como muitas crianças, acreditei que houve realmente esse tempo, essa época. Que infância feliz eu tive!

No tempo em que os animais falavam, tudo era muito diferente. No tempo em que os animais falavam, os vizinhos se conheciam e se cumprimentavam no portão. As crianças brincavam na rua até cansar – a paciência da mãe em chamar pra dentro. E computador era um troço estranho do trabalho do pai.

No tempo em que os animais falavam, havia alegria. Os natais eram encantados, os doces não engordavam e as músicas eram para se cantar junto. Fotografias eram para registrar o momento, e amizades eram para registrar uma vida.

No tempo em que os animais falavam, havia confiança. Fazer compras na quitanda e “anotar” o valor, pago só no final do mês. Sem cartão de crédito, sem promissórias, sem SPC, SERASA. Havia saúde. Banho de sol era remédio e banho de chuva era estimulante. Parar pra pensar na vida era o melhor calmante.

No tempo em que os animais falavam, os sonhos eram pequenos e possíveis. O mundo era tão grande, até onde a vista alcançasse. Até onde os pés alcançassem. Tão real, tão possível. Tão atingível. Os livros eram as “companhias aéreas” que levavam mais longe no tempo e no espaço, e os destinos não tinham limites.

No tempo em que os animais falavam, havia ingenuidade. Maior privilégio dado a um ser humano. A felicidade mais verdadeira e genuína está na inocência, repelente de todos os males. Não há dor quando há inocência. Não há decepção quando há inocência.

No tempo em que os animais falavam, tudo era diferente. Até que um dia eles se calaram. Então não houve mais alegria. Não houve mais confiança. Não houve mais pequenos sonhos possíveis. Acabou-se a ingenuidade.

No tempo em que os animais falavam... eu cresci.






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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Redes sociais



Nos últimos tempos têm-se falado bastante a respeito do crescimento das redes sociais e em como isso tem mudado o mundo que se conhecia. Virou até tema de redação. Novas formas de se relacionar, novas maneiras de conviver, novas formas de se conhecer pessoas, quem não está inserido nesse novo meio social fica meio perdido e começa a ter idéias equivocadas sobre essa nova forma de comunicação.

Começou-se então a se especular sobre o perfil das pessoas que interagem através dessas redes. Têm sido caracterizadas como pessoas solitárias, com dificuldades de relacionamento (no mundo real) e que precisam desse meio “virtual” para se sentir incluído ao mundo. Que sua vida se torna mais “virtual” que “real” e que isso está acabando com a capacidade do homem de interagir com outros “seres humanos”.

Esta é uma idéia muito equivocada. Engana-se quem afirma que a pessoa que se relaciona por meio da internet é menos social. Esquecem-se que do outro lado do PC, existe também um ser humano, tão social quanto. É um ser humano que responde os posts, é um ser humano que compartilha os textos que lhes tocam, que cutuca pra mostrar que lembrou de alguém, que "curte" para qua a pessoa saiba que ele leu o que ela postou, que expõe suas fotos e a sua vida.

Claro, não há interação física, realmente. Não a um primeiro momento. Mas se há honestidade, pode haver então uma conexão maior até, que é da alma. Porque na net, longe das vistas e da necessidade de impressionar ou agradar, as pessoas tendem a ser mais sinceras, mais objetivas. Esquecendo que tem mesmo outro ser humano do lado de lá, acompanhando tudo q ele faz, ele abre seu coração e acaba mostrando o que há de mais íntimo, mesmo quando não é essa a intenção. Ele se faz conhecer, ou melhor, se permite conhecer, e esse conhecimento vai além da aparência, tão valorizada nos encontros pessoais.

Nunca trocarei o prazer de encontrar um amigo pessoalmente e bater altos papos, jogados num sofá, no banco de um ônibus, na mesa de uma lanchonete ou numa caminhada (adoro). Mas na net, a rede social "estica" a conversa. Ela mantém a ligação mesmo quando o tempo acaba, quando os afazeres são muitos e não permitem os encontros. Ela reencontra velhos amigos de infância e mantém novos amigos por perto, mesmo que longe. Não existe mais distância geográfica, todos estão à distância de um clique. Longe dos olhos, eternamente perto do coração...

Tem como ser mais social que isso?!


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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Hipocrisia Disfarçada

      
“Se tem uma coisa que eu me orgulho nessa vida, é da minha humildade!”

                Parece brincadeira, piada... Mas eu conheço pessoas assim, e elas sequer percebem. Inteligentes, bem relacionados, e muito bem intencionados, estão sempre a dar os melhores conselhos e dispostos a serem os melhores amigos e conselheiros. Defendem as minorias com unhas e dentes, pois se julgam parte delas. Nunca trazem a glória para si. Mas se deliciam ao sentir o gostinho doce do reconhecimento e da popularidade, ainda que disfarçada com extrema resignação.

                Dizem que o pior tolo é aquele que se julga sábio. Sua opinião é sempre a mais relevante, e seu ponto de vista soberano. Mas tudo bem se ninguém os entende, afinal, se consideram sempre incompreendidos pela “massa ignorante” que os rodeia. E o que ele faz, então? Une-se a outros “sábios”, para juntos, discutirem a vida dos pobres mortais desprovidos da mesma inteligência e perspicácia das quais foram agraciados, agradecendo a Deus por tamanha benevolência. Se consideram justos, piedosos, muito santos. Mas desprezam os outros dissimuladamente.

Pobre deles. Derrubados por sua própria ignorância, sequer percebem que sua soberba os faz tropeçar. Não vêem que eles se tornam iguais – senão piores – do que aqueles a quem tanto julgam. Condenam as máscaras que vêem nos outros, mal sabem que suas próprias feições são bem mais repugnantes. Não sabem que aqueles a quem julgam têm por defesa sua própria ignorância. Mas o “juiz” não será absolvido por sua maledicência.  Não querem lembrar que o sol nasce para todos, e que o amor de Deus repousa com carinho especial sobre os pequeninos.

Com sua visão limitada pela arrogância caiada, não conseguem perceber que a verdadeira sabedoria está em pequenas coisas, nos pequenos gestos. No calar, no saber ouvir. Em compreender as mais simples palavras e conseguir ver grandeza em cada uma delas. Na capacidade de aceitar e amar o próximo com todas suas características, e não “apesar dos defeitos”. Está na competência de conseguir ajudar o outro a encontrar suas próprias respostas, sem impor a sua verdade.  Porque o verdadeiro sábio é aquele que reconhece sua própria ignorância.     


Sei que a carapuça deveria servir em muita gente. Mas “fulano de tal” é que dava certinho com esse texto, né não?


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domingo, 7 de agosto de 2011

O que me choca


Acordei hoje com um documentário na MTV sobre a Amy Winehouse, sua carreira, sucessos, polêmicas... Eu ñ era uma fã, nem conhecia mto seu trabalho. Só um pouco do talento, impossível de não notar. E, claro, as polêmicas. Não importa o quão talentosa uma pessoa seja, aliás, ñ importa quem uma pessoa seja. As pessoas sempre lembrarão dela na mesma medida das polêmicas que ela causou...

No caso da Amy (nossa, q intimidade, rs), a morte repentina e tão precoce fez chover na mídia toda sua trajetória de envolvimento com drogas e álcool. Vi muitos programas de TV, sites e inúmeros comentários sobre a sua transformação de moça simples – gordinha até – em um espectro magro, abatido, doente. Sua degradação a céu aberto. Vi sobre os shows cancelados, a voz desafinada, o andar desajeitado, a maquiagem borrada, o cabelo despenteado.

Vi crueldade. Vi satisfação com o fim trágico dessa história. Vi pessoas celebrarem o resultado de uma vida desregrada, usando como exemplo negativo, justificando os meios pelo fim. Vi intolerância. Vi julgamentos. Vi incompreensão.

Nada disso me choca, infelizmente. A vida dela e tudo q ela fez e passou não me choca nem um pouco. O que me choca é ver pessoas demonstrarem tão pouco amor pelo ser humano. O que me choca é ver pessoas, algumas que até se consideram “cristãs”, se justificando pelo erro do outro, usando o sofrimento alheio pra mostrar o quão “perfeitos e corretos” são por serem tão “diferentes” dela. Comentários como “bem feito”, “esse era o fim que ela merecia”, “ta vendo, isso é q dá”, choveram nas redes sociais, como se ninguém percebesse que dentro daquele corpo magro, embaixo de todo aquele cabelo estiloso, das tatuagens e da maquiagem pesada, havia um ser humano, igualzinho a eles, sofrendo as mesmas dores, fracassos e desilusões que qualquer pessoa está sujeita a sentir... Poderia acontecer com qualquer um. Na verdade, já está acontecendo, aos montes.

Falta de amor. Isso sim me choca...


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terça-feira, 26 de julho de 2011

Maratona



Ja faz um tempinho que eu ñ apareço, mas é que os últimos meses têm sido mesmo corridos, tanta coisa ao mesmo tempo, ainda ñ deu nem pra respirar...

Primeiro foi a monografia, que quase por um milagre eu consegui fazer toda em pouco mais de 1 mês e sem orientador (a minha achou de parir antes da hora e me deixou na mão). Mas o q importa é que deu tudo certo, eu consegui entregar, apresentar e ainda tirei 10! \o/

Depois disso foi último estágio de Saúde da Mulher. Ñ que tenha sido mais trabalhoso que os outros, mas toma mto tempo... E nem foi tão bom como eu esperava... Além disso, começou uma reforma em casa, que ficou praticamente de cabeça p baixo, pra troca do piso!

Assim que fiquei de férias, mudei temporariamente pra casa de mamãe, no Maiobão (a reforma finalmente chegou ao meu quarto, tive q sair), então veio o niver de Ana Maria. Mta coisa pra fazer, decoração, docinhos... Mas a festinha foi linda! Na mesma semana nasceu a Catarina, filhinha da minha amiga Elcy, e é claro que a tia babona tinha que estar lá por perto, dando uma assistência!

Na semana seguinte, preparativos para a formatura, que foi dia 14, depois Aula da Saudade (que foi dia 19) e Culto Ecumênico (que foi dia 20). Passei quase 2 semanas em meio a ensaios, roupas, cabelos e maquiagem. Mas foi tudo lindo, ótimo, to mto feliz de terminar essa etapa da minha vida!

E no fim da maratona, ainda teve o casamento de Fernanda e Luís (do qual eu muito honradamente fui madrinha), a 1ª apresentação do Ministério Viver (do qual eu agora faço parte) e o DR Cohatrac, q eu ñ participei mas fui dar o ar da graça (e apoio moral) ao menos no último culto (24.07).

Ufa... cansou, hein? E olha q tem mta coisa q eu ñ descrevi aqui, senão ninguém teria paciência  p ler (nem msm eu!)...

Agora que as coisas parecem estarem mais calmas, é o coração que ta pilhado... entre outras coisas, está a difícil decisão pela pós-graduação... muitas opções, poucas certezas... mas isso aí ja é assunto p outro post!


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