
Ouvi alguém dizer uma vez que “nós deixamos de fazer tantas coisas na vida pra nos preservar que um dia nos damos conta de que acabamos não vivendo nada”.
O pior é que é verdade. Nós nos preservamos tanto, deixamos de fazer muitas coisas, nem tanto por medo, mas por prudência. Cuidamos muito para ser, parecer, fazer tudo certinho e passamos a vida desviando de todos os possíveis obstáculos, perigos iminentes, tudo que aparenta ser arriscado ou no mínimo “dispensável”. Recusamos todas as maçãs de um cesto na remota possibilidade de apenas uma delas estar estragada.

E aí um dia – e não precisa ser na velhice ou à beira da morte – olhamos para trás e percebemos que nossa história se tornou um livro em branco. Um livro com apenas umas poucas páginas rabiscadas em uma caligrafia impecável, mas sem nenhuma emoção. Nenhuma grande conquista, nenhum grande erro a ser consertado e dado como exemplo. Quase um conto infantil, cheio de histórias de castelos encantados, fadinhas e dias ensolarados, mas sem nenhuma tempestade ou uma bruxa má para dificultar a vida da mocinha e atrair um belo príncipe para resgatá-la. Mas resgatá-la de quê? De uma vida vazia e sem graça?
Não me admira que ele prefira enfrentar os dragões...
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